terça-feira, 3 de abril de 2012

Vigiados


Onde estou, com frequência me sinto um abduzido ao contrário...
Colocado em um ambiente, mas nunca camuflado na paisagem....
Não consigo ser “uma garça entre as garças”.
A todo o momento, me sinto vigiado, confinado em um ambiente hostil.
No entanto, restam sempre dúvidas.
Apesar de não haverem barreiras visíveis, de que lado das grades eu estou?
Posso ir à qualquer lugar...mas dificilmente estou só, e quando estou, tenho medo dos que possam vir em meu encalço.
Quando olho o horizonte, estou inserido ou não em tudo que esta ao meu redor?
A socialização vem e vai, fazer parte é uma necessidade que se esvai.
Tudo anda tão desinteressante...
Rotina massacrante em meu espírito dissonante.
Como visita em dias predeterminados aos que estão sob a custódia do Estado.
Não na hora que queremos, ou sentimos querer...
Horas pré-agendadas, tempo limitado, tudo sob os olhos de alguém na verdade intangível.
Nada parece natural.
Corpos em um paiol.
Já que temos mesmo que classificar ou sermos classificados
acho que os valores que me rotulam, de fato não têm tido uma cotação muito boa no mercado.
Estou no lugar errado.
Mas errado aos olhos de quem?
retorno ao começo em busca de respostas que talvez nem existam...
....onde estou, com frequência me sinto um abduzido ao contrário...

sábado, 10 de março de 2012

Abafado & barulhento


Ainda não era noite.
No entanto, o céu estava negro.
A precipitação dos pingos era eminente.
Andava pela calçada no sentido contrário dos carros.
Olhava os veículos, e principalmente os ônibus que vinham em minha direção.
Tinha a esperança de ver o que me transportaria até em casa surgindo à frente milagrosamente.
Gotas começaram a cair.
Imediatamente penso no meu velho guarda-chuva.
Estive com ele o ano inteiro, e justamente no dia que o retirei da mochila pela manha, tenho necessidade do meu velho amigo no fim do dia.
Penso no tempo que o tenho.
Se é que sou dono de algo.
Penso nos pequenos furos em sua lona e em tantas tempestades que passamos juntos.
Ao ver que em fim, minha condução se aproxima, deixo a nostalgia de lado.
Estou fora do ponto de parada.
Mas a conjunção do destino faz o sinal de transito fechar na hora.
Faço um gesto pedindo uma camaradagem e a porta se abre.
Subo no grande veículo.
Há um lugar vago a me esperar.
Aquela velha cadeira de tecido cheio de ácaros.
Mas quem se importa?
Tenho um lugar.
Sorte sobre sorte.
Acomodo-me no assento.
Saco o fone de ouvido e o livro da mochila.
A chuva começa torrencialmente lá fora.
Vidro fechados.
Ambiente abafado.
Sono chegando.
As frases nas páginas não fazem mais sentido.
Fecho os olhos.
Som, muitas vozes.
Pessoas falando sem parar.
Falando de outras pessoas sem parar.
Mergulho em um sono conturbado, abafado e barulhento...
Tento abrir os olhos.
Não consigo.
Palavras, risadas, música...uma feira talvez.
Música?
Aumento o som nos meus fones.
Meus tímpanos vibram.
Esqueço a algazarra e me concentro em saber a minha localização atual.
Estou prestes a descer e o povo seguirá feliz.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Preciso também



Foi este pensamento que se formou dentro da minha cabeça, quando ouvi você dizer que precisava de algo que fosse, motivador que e perdurasse para seguir em frente e fixar as inalcançáveis raízes da satisfação.
Em contradição, digo em meias palavras que acho que isso não existe, que é algo para nos fazer continuar em frente, uma busca lúdica...
Você diz que não, argumenta o contrário.
Precisamos acreditar.
Eu penso em um Hamister correndo sem sair do lugar...
Muito esforço para pouco benefício.

Penso em um plano B.
Deixo a imaginação vagar em busca de algo prazeroso.
Chego a canção ....
Será que tudo que eu gosto, é ilegal, é imoral ou engorda?
Algo assim...
Os pensamentos se perdem.

Para me movimentar, preciso cortar mais raízes do que achei que teria.
Percebo, o quão limitado sou, por conta dos laços que criei.
Mas nao são eles que nos fortalecem?
Para fraseando o autor, algo como se tornar eternamente responsável pelo que cativa...formando um paradoxo entre cativar....cativeiro.
Quem é refém de quem no fim das contas?
Talvez sejamos reféns de nossas criações e vínculos sociais.
Hamister...correndo, emitindo sons, esguichos, demarcando espaço.
Desentendimento sem propósito.
Gerar riquezas para poucos, enquanto o tempo vai passando fora das grades que habito.
Preciso correr, mas antes, descer do brinquedo que me exercita.
Buscar novos horizontes.
Ou talvez, novas percepções dentro do que já vejo em tons de cinzas e listrado.
Ainda pensando no plano B....

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Essas pessoas...

Enquanto bebia solitariamente ele contraria os lábios e se perguntava com certa frequência, e até mesmo involuntariamente.
Quem são essas pessoas?
O que elas querem além de satisfação pessoal?
Estão sempre em busca de alcançar resolução para os próprios problemas, suas própria ambições distorcidas. No entanto, não se importam nem um pouco com o redor que é afetado no processo.
A pedra que jogada ondula o lago.
Idealizam que se suas próprias necessidades forem satisfeitas, o resto é irrelevante.
Que se dane o próximo.
Goste quem quiser, conviva e aceite, quem achar que consegue.
Entre um trago e outro, se percebia descontente em achar que nutria amizade ou consideração por muitos daqueles que simplesmente não pensavam em mais ninguém além de si.
A masturbação estava sempre presente em tudo, autoflagelo prazeroso que visa apenas um objetivo.
Existem muitos tipos, tantos que é complicado quantificar, depende da mente e dos fatores considerados, mas o sentido é sempre o mesmo, fluir para a convergência.
Jogam a ética pela janela e se sentem certos, protegidos pela razão de uma sociedade doentia, carente de pessoas lúcidas e principalmente sóbrias.
Precisava parar de beber.