sexta-feira, 15 de abril de 2011

CONSTRITOR

Carregou dois sacos de gelo para a antiga banheira.
Postou o conteúdo das embalagens juntamente com a água que preenchia metade do recipiente.

Despiu-se, olhou para o interior durante alguns minutos
Tinha significativas olheiras de panda em sua face.
Pensou no efeito do gelo em suas partes intimas.
Sentiu calafrios, com o prenuncio do que iria fazer.
Colocou um dos pés na água em seguida o outro.
Dormência.
Mergulhou todo o corpo de uma vez e deixou apenas o nariz para fora.
O coração gritou e bateu ainda mais forte, clamando pelo calor ambiente.

Ignorou os efeitos iniciais e concentrou-se em uma tela branca.
Não queria fixar os pensamentos em nada, somente no branco, no vazio.
Liberou a mente dos pensamentos que o atormentavam.
Sentiu suas veias rejeitarem a temperatura, mas em seguida estabilizou-se.
Resistiria.
Em segundos seu corpo tendeu a reagir negativamente.
Espasmos e mais espasmos...
O clamor era desesperador, necessitava a qualquer custo sair dali, no entanto, manter-se ia o quanto fosse capaz.
A hipotermia já era quase que absoluta e não havia alternativa, sendo assim, lançou-se para fora.
Tremia incontrolavelmente, seus braços pareciam epiléticos, precisava de uma toalha e uma dose de vinho, estava vivo, muito mais do que antes.

Percebeu então que ainda não estava pronto, precisava de outros ensaios até definir a melhor forma de cumprir seu intento destrutivo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

NO TOPO DA CADEIA.

O Homem apesar de não saber voar, mergulhar a grandes profundidades, suportar frio ou calor intenso, é ainda assim, uma das máquinas mais perfeitas do universo, isso do ponto de vista evolutivo.

Deus, Darwin, Marcianos, Maomé, Buda.... seja lá qual for a origem filosófica da criação em que se acredite, há de se ter orgulho da mesma.

No entanto, quando olhamos mais de perto, esta maravilha derivada de alguma divindade ou combinação química talvez acidental, se torna o mais incrível predador do universo.
Fere a atmosfera, polui os mares, o solo, desmata e caça tudo que é irracional.
Mas este ato não é irracionalidade?
Será por isso que matamos uns aos outros também?
Matamos o que não compreendemos ou não aceitamos, ou até mesmo o que não nos aceita ou percebe da forma que acreditamos que piamente sermos.
A morte pode ser física ou sentimental e em ambos os casos o resultado é o mesmo....
Ausência, extinção.

sábado, 9 de abril de 2011

Canino

Estive pensando sobre os cães.
Não tenho cachorro.
Mas admiro a capacidade deles no aspecto de ser amigo.

Os cães de uma maneira geral, sem a interferência do homem na genética, são verdadeiros companheiros, eles honram de longe os dizeres de “na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença”.
Estão ao nosso lado nos melhores e piores momentos

É uma sacanagem quando nos referimos a pessoas como cachorros, usando o nome de maneira pejorativa.
É uma sacanagem com os cães, é claro.

Neste devaneio imaginei como é irônico que justamente o ser mais dócil, e mais companheiro, seja um dos principais transmissores da Raiva.
A raiva torna você um monstro, transtorna sua essência.
É uma grande injustiça com os caninos.

Talvez, esta seja a forma sutil de sabermos que mesmo o melhor dos seres pode sofrer de um mau transtornador de personalidade, a boa noticia é que tem prevenção, no caso dos animais a vacina é eficaz, é só aplicar com regularidade.
No nosso caso, o auto policiamento pode nos ajudar a prevenir possíveis lapsos transtornadores.
Estou tentando

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Força na incompreensão

Não é por que não somos entendidos que estamos fracos.
A luta continua com foco e força no dever de ser correto.
É impossível ser 100% mas devemos tentar.
Mas em caso de erro, podemos tentar seguir o caminho da humildade.
O que muda em tese em cada caso é a batalha que escolhemos nos envolver, e os percalços que ignoramos ao longo do caminho.

Alguns não querem ser ajudados, outros refletem uma imagem de si mesmo diferente do que o mundo percebe.

Continuaremos lutando as boas lutas.
Seguiremos com fé no que acreditamos.
Mesmo que sejamos sempre vistos como párias, estaremos firmes.
Talvez sejamos projeções do que os outros almejam.
Por isso somos depreciados de quando em vez.
Muitas teorias desconexas.
Acredite em você.
É o q vale.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Silencio no Limbo

Sigo em direção ao carrossel.
Percebo então a similaridade dele com a vida.
Rodamos mais rapidamente ou mais vagarosamente, no entanto, sempre passamos pelos mesmos pontos, mudam os cenários, mas as questões são sempre as mesmas.

Escrevo palavras em letras grandes em uma folha em branco.
Escrevemos a vida em um futuro em branco.

Estariam todos os acontecimentos previamente definidos antes mesmo de cada passo?

Colo a folha com as palavras em um poste próximo.
Percebo que não sei que palavras foram escritas por mim.
Subo no carrossel.
Fixo o olhar na folha e o carrossel gira.

Aos poucos a rotação aumenta.

O foco do meu olhar é perdido
Não vejo nada além de borrões.
A leitura é impossível.
Tudo se perde a medida que o tempo e a velocidade do giro aumentam.

Como na vida, o objetivo primário se perde ao avançarmos.
O destino é incerto, e as palavras ditas ou escritas no início se perdem no contexto mundano.
A importância inicial é questionada, sua própria importância é subjetiva, irrelevante.
Esforçamos-nos, mas somos menos do que nada.

A inércia quer me jogar para fora do carrossel.
Apego-me ao que consigo.
Não posso me deixar ser arremessado.
Não é o momento, ainda não...

Minhas mãos estão cansadas e pouco a pouco cedem à força dispersiva.

Vôo para o vácuo.
A sensação é como mergulhar em águas cristalinas.
Imerso o mundo parece turvo lá fora.
Antes também era assim, nunca foi possível ver nada claramente.
Mas, agora é diferente.
Os sentidos estão em uma espécie de dormência.
É Silencioso.

A luz acima parece um caminho natural a ser seguido.
Mas se isso é morrer, por que percebo a escuridão a minha volta?
Oprimindo-me à medida que o ar se esgota.
Meu peito dói estou arrítmico.
Busco desesperadamente a luz, mas o que me alcança é o breu, e o que eu ouço é o silêncio, o eterno nada.
Volto à posição fetal e a consciência se esvai.
Para sempre.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Keep Walking

Não, não é apologia a bebida.

O cerne da questão é, mantenha-se andando.
Mantenha-se de pé e siga em frente não importa os percalços no caminho.
Dedique-se a ser o melhor dentro das suas possibilidades.
Tenha honra, seja amigo e verdadeiro.
Alimente suas convicções positivas e lute pelo que acredita sem que para vencer, você tenha que pisar nas pessoas.
Pessoas não são alicerces, podem ser amigos participativos, ou alienados distantes da realidade, mas nunca, serão responsáveis pelo que fazemos ou deixamos de fazer.
Você é o seu norte no que tange o certo e o errado.
Voce é o privilegiado no acerto, ou recorrentemente errado no fracasso.

Mantenha-se erguido, e confiante no seu potencial.
Você sempre poderá fazer melhor.
Não se deixe abater, é normal tropeçar vez ou outra.
Algumas questões são meramente subjetivas e não cabe a ninguém questionar, o certo o errado, ou a razão de ser feito, só voce sabe e pesa as suas atitudes.
Mas é preciso ter humildade no erro e no acerto.
No fim, quem sorri é você, quem chora é você, e nem sempre há quem nos congratule ou apóie seja qual for o fato, principalmente na derrota.
Na vitória, tapinha nas costas é muito bom, na derrota os valores são outros.




sexta-feira, 1 de abril de 2011

B@bel

Curioso como as coisas são.
Algumas mentes combinadas poderiam revolucionar a medicina a filosofia e ou algo onde fosse aplicada a intensa dedicação dos pensamentos.
Combinação de sinapses, combinação de atitudes, falar a mesma língua com um propósito maior.

A racionalização dos acontecimentos por sua vez acaba por afastar as pessoas.
É um intricado sistema de narcisismo.
Exagerada valorização das próprias idéias contra a produção de idéia nenhuma.

Não sei bem, talvez os alfas tenham polaridades invertidas e não consigam dividir o mesmo espaço.
Então ocorre o isolamento, não só um do outro, como também deles com a sociedade de um modo geral, e desta forma todos perdem.

Enquanto isso, a massa se une através de futilidades.
Modismo, comodismo, batuque, dinheiro e sexo.

O ato de pensar, ou questionar o que é tido como verdade gera conflito e distanciamento; não só entre os que pensam que pensam,  mas também os que realmente não se importam com nada.
Tudo parece ser sem sentido, falamos o mesmo verbo mas o entendimento é falho, por muitas vezes impossivel de compreendermos uns aos outros.
Diferentes pessoas, diferentes culturas, diferentes motivações, diferentes razões de ser o que somos.
Paradoxo.
O pensamento deveria unir as pessoas em prol de um bem maior.
Achar a cura do câncer, buscar soluções para barrar a omissão do Estado, se rebelar, revolucionar.
Todos interagem mecanicamente, não estão realmente interessados nas trivialidades mundanas desde que garanta sua fatia no bolo social.
Talvez sejamos todos autistas natos por voluntariado, cada um a seu modo.
E vida que segue....