terça-feira, 31 de maio de 2011

Leveza

Vidro do carro aberto.
O vento batendo no rosto em um dia quente.
A mão descrevendo movimentos sinuosos contra o vento.
Tristeza ontem, alegria infinita hoje.

A música ideal tocando histericamente no rádio carro.
Por falar em ideal; o que vem a ser isso realmente nos dias de hoje?
Conseguir sobreviver em um país violento e hipócrita pode ser uma boa resposta.
Não sei, o momento não é para pensar em coisas negativas.
O pensamento se afasta.
Quem sabe viver um ideal seja se sentir bem, realizar idéias, fechar os olhos e perceber que não há peso em nossos ombros após cada conquista alcançada...
E se por acaso tiver, encararemos de frente sem medo.
Conquista com peso excessivo, não é realização plena, o difícil é conseguir coincidir os fatores para ocorra da maneira que idealizamos...

Claro que há momentos em que queremos exterminar tudo com o nosso rancor.
Mas hoje não.
Agora nossa armadura paira sob o solo inerte e suplicante pelo nosso corpo quente.

O trânsito para sobre a ponte
Saímos do carro e batucamos no ritmo das baquetas do som que nos chega.
Parecemos loucos, mas é só alegria.
A Sensação de bem estar aumentado exponencialmente pelo calor do sol.

Do isopor vem a água gelada.
Lavo o rosto e aponto o nariz para o firmamento.
Nada de poluir o corpo.
Liberdade correndo nas veias, e sendo espalhada pelo vento que sopra no vão central.
Quase são perceptíveis as vibrações positivas sendo carregadas para o horizonte ao léu

Os carros avançam lentamente.
Caminhamos ao lado do veículo, não há por que se enclausurar por tão pouca distância.
A velocidade se intensifica.
Entramos no carro e seguimos o nosso caminho.
Passamos o pedágio sem olhar para trás...
Pagamos o preço de nossa passagem por esta via.
Não fazemos isso todos os dias nos mais diferentes sentidos da vida?
Sempre pagamos o preço por viver e tomar as decisões que achamos coerentes com o nosso modo de pensar e principalmente com o coração.

Corpos presos, mentes libertas..seguimos.
Sempre em frente.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Velho Amigo

Bom rever você velho amigo.
Como foi sua noite?
Você me parece bem disposto, mas precisa fazer a barba.
Esta amando...(de novo) ?
Engraçado como as coisas são não é mesmo?
Você anda sumido; muito trabalho?
Não temos nos encarado muito ultimamente.
Incrível a nossa correria.
É uma batalha infindável, cada dia uma novidade, ou mais do mesmo.
Incessante
Não ando muito preocupado com minha vida ultimamente.
Estou tranqüilo (já era tempo rs).
As coisas materiais só têm prendido minha atenção por pouco tempo.
Não sei ao certo por que.
Simplesmente se tornam opacas brevemente e perdem seu brilho.
Das nossas metas, você conseguiu cumprir alguma?
Manteve os amigos próximos enquanto pensava em como ganhar dinheiro?
Cara, eu entendo perfeitamente seu ponto de vista, fique despreocupado.
Sempre torci muito por você, essa porra de inveja não me atinge.
Fizemos tantos planos entre um porre e outro, e no fim, estamos aqui frente a frente fazendo um balanço dos últimos anos de nossas vidas.
Precisamos conversar mais.
É verdade, você esta certo, tínhamos uma forte ideologia quando éramos jovens.
Continuamos com nossos ideais, mas a sociedade enfraquecida se esqueceu das metas fincadas no passado e se tornou conivente com tudo que há de imoral.
Esse seu sorriso irônico achando que estou bebendo já cedo é o máximo.
Eu me sinto meio doido e constrangido quando ele aparece.
Pensando bem, até que estou satisfeito com as escolhas que fiz e que me conduziram até aqui neste momento.
Tenho certeza que você também.
Claro, claro, cometi inúmeros erros e acho que ainda vou cometer milhares.
O que motiva a minha natureza humana é reparar meus erros (rs)
A grande ironia é que eu não consigo por mais que tente.
Acho que uma vez errado, por mais que se queira compensar, não há retorno.
É uma mancha, uma macula eterna recoberta por camadas...e que nos cobra um certo preço vez ou outra ao longo da nossa vivencia.
Então velho amigo, sua mãe vai bem?
Aquela velha é uma grande sujeita, não sei como vai ser o mundo sem ela aqui.
Com certeza mais pobre...
Aliais, sem você aqui, não faço idéia de como seguirão as vidas dos que te cercam.
Não dá pra saber não é verdade?
Talvez com o tempo nos tornemos uma fraca lembrança...
Nossa cultura é assim mesmo, nos esquecemos rápido de tudo, seja importante ou não; mas eu acho que nasci com defeito...algumas coisas ficam gravadas na minha mente provendo uma energia residual constante para o bem e para o mal...
Lá vem você com esse sorriso irônico...
Não, eu não bebi ainda (rs)
Bom... nos falamos depois, não posso passar o dia escovando os dentes em frente do espelho.
Até breve.




segunda-feira, 23 de maio de 2011

Oscilações

Momentos de alegrias e tristezas alternados bruscamente.
Sorrisos e choros.
Lagrimas, pesares, perdas, ganhos, motivos, não motivos.

Sentimentos a deriva.
O pior de se estar à deriva é não querer direcionar nada a lugar nenhum.
Por que afiliar-se?

É bom estar despretensiosamente desancorado.
Sentir o que se tem para sentir sem a preocupação de agradar e ou dar continuidade a nada.
Amar, odiar, rir, chorar.
Que venha o que tiver que ser.

Viveremos, absorveremos e descartaremos o que for conveniente.
Desprendimento total.
Não vamos acumular bagagem física, nos bastará a emoção de viver.

A vida em rompantes, em turbilhões emocionais.
Que venha da forma que vier, sem tratamento.
Matéria bruta.
Direcionada da mesma forma ao exterior.
Goste quem gostar, ame quem quiser amar.
Tudo será intenso pelo tempo que nos for permitido.

sábado, 21 de maio de 2011

Nem tanto preocupada

Angina estava inquieta.
Andava pelas ruas apressadamente.
Ainda havia muito que fazer durante o dia.
A rotina de correria e cobrança estava apenas começando.

Parou por um instante.
Pensou no que estava fazendo e onde deveria ir a seguir.
Ponderou brevemente.

Coincidentemente estava parada em frente a um bar.
Caminhou para o interior do mesmo.
Colocou a mão sob o balcão.
Conhaque por favor.

Bebeu com sofreguidão.
Balbuciou ao vento uma canção.
Batia ritmicamente os dedos sobre o vidro morno do bar.
Brincou com o atendente ao chamar.
Balconista, mais um por favor.

Sorveu tudo; desta vez mais devagar.
Sorriu
Saldou a dívida
Seguiu para o seu urgente destino.
Seja na direção que fosse.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Angina.

O peito dói
Dizem que é “angina”.
Não sei o que é ao certo, vou dar uma pesquisada na Matrix para descobrir...
Ela surge de tempos em tempos.
Em momentos de estresse, amargura ou limites excedidos; lá esta ela cobrando o sedentarismo.
Deve ter um fundo psicológico além do patológico....
Acho que em alguns casos, a mente é quem dá inicio a patologia....sei lá.

Procuro esquecer, tornar menos importante a incomoda dor física e seguir meu caminho.
Quando me distraio a enfermidade se dissolve, mas não posso viver distraído.
 Talvez devesse levar a vida menos a sério, me preocupar um pouco menos com certos acontecimentos, e deixar a correnteza me arrastar vez ou outra.
Na verdade, vou encontrar uma função para este adjetivo...acho que vou transformá-lo em substantivo...Angina.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Rumo a extinção.

Aos poucos o destino vai cobrando do homem a arrogância que infringiu a natureza ao longo dos séculos.
Quem nós pensamos que somos?
A terra já teve várias gerações de espécimes dominantes, algumas (muitas) com até mais longevidade do que nós.

Não importa o conceito de tempo utilizado.
Fatalmente seremos sobrepujados naturalmente.
É a teoria de Darwin.
Evolução.
É a teoria religiosa.
Arrebatamento.
São teorias que nos levam ao mesmo fim.
Renovação.
A conduta humana segue na contramão.
Extinção.
Somos meras crianças cósmicas.
O mais cruel e temível vírus de destruição que transita sobre a terra.
Homo Sapiens.
Estamos vagando aleatoriamente perpetrando o mal e disseminando o egoísmo, sem saber ao certo qual é a nossa missão.
Somos o câncer do nosso planeta.
A personificação do desequilíbrio.
Somos os cavaleiros do apocalipse...
Fome, Morte, Peste e Guerra, todos em um só ser com alternância de prevalecimento nas personalidades hora dominantes na inconstância humana.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um abraço forte...

Um beijo de irmão, ou de irmã.
A sinceridade do prazer ao desejar o bem.
Transparecer a admiração nos menores atos.
Sorrir.
Entender que sempre há um motivo para as ações que tomamos, embora este não seja notório.
É preciso ouvir, sempre.
Ouvir mais do que as palavras proferidas ou transcritas...
Ver além dos atos, enxergar com os sentidos abstratos.
Amadurecer os impulsos.
Perceber que o caminho de cada um é diferente, ainda que pisemos sobre as mesmas pegadas..pois nem os gêmeos são iguais.