terça-feira, 19 de abril de 2011

Mecanismos

Tudo o que produzimos é alimentado por mecanismos.
Os mecanismos dos carros, com sub mecanismos de catalisação, combustão, explosão, em fim...mecanismos e engrenagens.
Antigas ou modernas ainda assim engrenagens que formam os mecanismos.
Repartição de átomos, partículas subatômicas, são produtos gerados através de processos mecânicos inventados e alimentados pelo homem.
Políticas de opressão também são mecanismos de controle da massa.

Nosso corpo funciona em tese no mesmo esquema.
O mecanismo físico é alimentado por exercícios motores, que refina e acentua a força e a coordenação, o mecanismo do metabolismo dita a sua silhueta para o bem ou para o mal.
Se bem treinado o resultado obtido é muito satisfatório aos olhos e bem estar.

Mas e quando falamos de nossas mentes?
O que alimenta nossas idéias e faz nossas sinapses zunirem de bons e maus pensamentos?
Temos propensões químicas fragilmente equilibradas e o excesso pode te conduzir a caminhos sem volta.
Tento alimentar meus estímulos elétricos com bons fluidos para amenizar minha natureza destrutiva.
Nem sempre dá certo.

O Mecanismo de compensação do cérebro.
Esse é o mais dinâmico e insuperável que existe.
A inteligência artificial, não é nada sem a mão do homem.
Mesmo essa fantástica máquina orgânica é carente de estímulos, e freqüentemente clama por recompensas, sejam nos atos ou nos prazeres.
O bem estar gerado pela mente pode tornar uma pessoa dependente de algo, e a abstinência do mesmo item é um amargo remédio quando o cérebro clama por produzir alquimias.
É preciso tomar cuidado, pois fatalmente o resultado que emergirá com a possível falta e ou o excesso de determinados componentes, poderá trazer desequilíbrio a vivencia e desequilibrado o homem é uma arma mortal.

sábado, 16 de abril de 2011

Se propaga no vácuo.

Não importa onde.
É cada vez mais raro ouvir o som do vácuo.
Este que se traduz em simples silêncio, o nada.
Acordamos e o ruído ao redor esta presente.
Às vezes esqueço-me do reconfortante som do vazio.

Barulho de motor, buzinas, engrenagens, gente.

Mesmo quando você não quer ouvir rádio, alguém te força tímpano adentro os ruídos que saem dos seus fones.
Violência auditiva constante.

Se quiséssemos aquilo naquele momento, provavelmente estaríamos em um coral cantando em uníssono ou em uma quadra de alguma agremiação.

Em ambientes fechados, muitas vezes é impossível ouvir a própria voz se não gritarmos.
O Almoço em restaurante é uma verdadeira feira, e não são burburinhos.

Notei que alguns apelam para a apnéia voluntária.
Submerso o som é nulo.
Mas tome cuidado, pois como tudo que é bom, a duração é pouca.
Fique atento, e por mais que queira suba para respirar.

Enquanto isso coloco as mãos em concha cobrindo os ouvidos.
Como um desajustado na multidão se desgarrando do rebanho vou seguindo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

CONSTRITOR

Carregou dois sacos de gelo para a antiga banheira.
Postou o conteúdo das embalagens juntamente com a água que preenchia metade do recipiente.

Despiu-se, olhou para o interior durante alguns minutos
Tinha significativas olheiras de panda em sua face.
Pensou no efeito do gelo em suas partes intimas.
Sentiu calafrios, com o prenuncio do que iria fazer.
Colocou um dos pés na água em seguida o outro.
Dormência.
Mergulhou todo o corpo de uma vez e deixou apenas o nariz para fora.
O coração gritou e bateu ainda mais forte, clamando pelo calor ambiente.

Ignorou os efeitos iniciais e concentrou-se em uma tela branca.
Não queria fixar os pensamentos em nada, somente no branco, no vazio.
Liberou a mente dos pensamentos que o atormentavam.
Sentiu suas veias rejeitarem a temperatura, mas em seguida estabilizou-se.
Resistiria.
Em segundos seu corpo tendeu a reagir negativamente.
Espasmos e mais espasmos...
O clamor era desesperador, necessitava a qualquer custo sair dali, no entanto, manter-se ia o quanto fosse capaz.
A hipotermia já era quase que absoluta e não havia alternativa, sendo assim, lançou-se para fora.
Tremia incontrolavelmente, seus braços pareciam epiléticos, precisava de uma toalha e uma dose de vinho, estava vivo, muito mais do que antes.

Percebeu então que ainda não estava pronto, precisava de outros ensaios até definir a melhor forma de cumprir seu intento destrutivo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

NO TOPO DA CADEIA.

O Homem apesar de não saber voar, mergulhar a grandes profundidades, suportar frio ou calor intenso, é ainda assim, uma das máquinas mais perfeitas do universo, isso do ponto de vista evolutivo.

Deus, Darwin, Marcianos, Maomé, Buda.... seja lá qual for a origem filosófica da criação em que se acredite, há de se ter orgulho da mesma.

No entanto, quando olhamos mais de perto, esta maravilha derivada de alguma divindade ou combinação química talvez acidental, se torna o mais incrível predador do universo.
Fere a atmosfera, polui os mares, o solo, desmata e caça tudo que é irracional.
Mas este ato não é irracionalidade?
Será por isso que matamos uns aos outros também?
Matamos o que não compreendemos ou não aceitamos, ou até mesmo o que não nos aceita ou percebe da forma que acreditamos que piamente sermos.
A morte pode ser física ou sentimental e em ambos os casos o resultado é o mesmo....
Ausência, extinção.

sábado, 9 de abril de 2011

Canino

Estive pensando sobre os cães.
Não tenho cachorro.
Mas admiro a capacidade deles no aspecto de ser amigo.

Os cães de uma maneira geral, sem a interferência do homem na genética, são verdadeiros companheiros, eles honram de longe os dizeres de “na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença”.
Estão ao nosso lado nos melhores e piores momentos

É uma sacanagem quando nos referimos a pessoas como cachorros, usando o nome de maneira pejorativa.
É uma sacanagem com os cães, é claro.

Neste devaneio imaginei como é irônico que justamente o ser mais dócil, e mais companheiro, seja um dos principais transmissores da Raiva.
A raiva torna você um monstro, transtorna sua essência.
É uma grande injustiça com os caninos.

Talvez, esta seja a forma sutil de sabermos que mesmo o melhor dos seres pode sofrer de um mau transtornador de personalidade, a boa noticia é que tem prevenção, no caso dos animais a vacina é eficaz, é só aplicar com regularidade.
No nosso caso, o auto policiamento pode nos ajudar a prevenir possíveis lapsos transtornadores.
Estou tentando

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Força na incompreensão

Não é por que não somos entendidos que estamos fracos.
A luta continua com foco e força no dever de ser correto.
É impossível ser 100% mas devemos tentar.
Mas em caso de erro, podemos tentar seguir o caminho da humildade.
O que muda em tese em cada caso é a batalha que escolhemos nos envolver, e os percalços que ignoramos ao longo do caminho.

Alguns não querem ser ajudados, outros refletem uma imagem de si mesmo diferente do que o mundo percebe.

Continuaremos lutando as boas lutas.
Seguiremos com fé no que acreditamos.
Mesmo que sejamos sempre vistos como párias, estaremos firmes.
Talvez sejamos projeções do que os outros almejam.
Por isso somos depreciados de quando em vez.
Muitas teorias desconexas.
Acredite em você.
É o q vale.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Silencio no Limbo

Sigo em direção ao carrossel.
Percebo então a similaridade dele com a vida.
Rodamos mais rapidamente ou mais vagarosamente, no entanto, sempre passamos pelos mesmos pontos, mudam os cenários, mas as questões são sempre as mesmas.

Escrevo palavras em letras grandes em uma folha em branco.
Escrevemos a vida em um futuro em branco.

Estariam todos os acontecimentos previamente definidos antes mesmo de cada passo?

Colo a folha com as palavras em um poste próximo.
Percebo que não sei que palavras foram escritas por mim.
Subo no carrossel.
Fixo o olhar na folha e o carrossel gira.

Aos poucos a rotação aumenta.

O foco do meu olhar é perdido
Não vejo nada além de borrões.
A leitura é impossível.
Tudo se perde a medida que o tempo e a velocidade do giro aumentam.

Como na vida, o objetivo primário se perde ao avançarmos.
O destino é incerto, e as palavras ditas ou escritas no início se perdem no contexto mundano.
A importância inicial é questionada, sua própria importância é subjetiva, irrelevante.
Esforçamos-nos, mas somos menos do que nada.

A inércia quer me jogar para fora do carrossel.
Apego-me ao que consigo.
Não posso me deixar ser arremessado.
Não é o momento, ainda não...

Minhas mãos estão cansadas e pouco a pouco cedem à força dispersiva.

Vôo para o vácuo.
A sensação é como mergulhar em águas cristalinas.
Imerso o mundo parece turvo lá fora.
Antes também era assim, nunca foi possível ver nada claramente.
Mas, agora é diferente.
Os sentidos estão em uma espécie de dormência.
É Silencioso.

A luz acima parece um caminho natural a ser seguido.
Mas se isso é morrer, por que percebo a escuridão a minha volta?
Oprimindo-me à medida que o ar se esgota.
Meu peito dói estou arrítmico.
Busco desesperadamente a luz, mas o que me alcança é o breu, e o que eu ouço é o silêncio, o eterno nada.
Volto à posição fetal e a consciência se esvai.
Para sempre.