quinta-feira, 28 de abril de 2011

Pêndulos

Faz muito tempo nos perdemos de nossa real virtude.
A mesma que tínhamos quando éramos jovens.
Do futuro que projetamos ao sermos questionados no passado, nada restou.
O que você será quando crescer?

Agora que estamos mais velhos, a pergunta é contrária.
O que fizemos de nossas vidas?
O que nos tornamos?
Você é responsável só por você?

Muitas questões, poucas respostas, ou respostas que não completam os anseios da mente.
O que realmente te completa?
Em uma balança, seus atos pedem para o lado positivo ou negativo?

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ótica I

Algumas vezes as portas das oportunidades e considerações se fecham.
Você se sente só.
Como se estivesse andando por uma praia deserta sentindo a brisa do mar contra o seu corpo.
Vento e areia castigando a pele com diferentes intensidades.
Abrasividade.

Talvez este seja justamente o momento de se encontrar.
Reconsiderar algumas questões, algumas ambições, e necessidades, que de repente não sejam de tanta importância assim se analisarmos friamente dentro de outra ótica.

Lembre-se de que quando tudo se acabar para você, o mundo irá continuar de uma forma ou de outra; e suas necessidades enquanto presente serão irrelevantes aos que ainda trilham seus caminhos sobre a terra, seus amigos seguirão e sua família seguirá.

Aos poucos os sorrisos voltarão e você será uma mera lembrança no natal quando derem por sua ausência.

Isso não quer dizer que não se deve lutar pelo que se quer, nem tão pouco desistir.
Muito pelo contrário.
É preciso seguir em frente.
Fazer o seu melhor e ter noção que tudo que é feito certamente afeta o nosso redor em instâncias inimagináveis.

As ações são como ecos...dentro e fora do corpo.
Dentro ou fora de nossas vidas.
Sabendo que o certo é um conceito abstrato, se possível tente conseguir ser você mesmo, obter sucesso e colher amigos sem denegrir ninguém.
Essas ações, por si só já serão muito positivas para a pessoa mais importante na sua história...
...você.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Porta de Entrada

Rio de Janeiro.

Chego ao Rio após uma curta ausência.
Interessante como há coisas com que nos acostumados e parecem ser natural.
Mas não são.
Na calçada da rodoviária, a primeira coisa que percebo e o forte cheiro de urina.
Dou uns passos a frente e percebo somente poluição visual.

Acho o grafite uma Arte.
Os desenhos nas paredes são muito interessantes e tem um grau elevado de contexto social e artístico.
Em alguns lugares do mundo, são valorizados de verdade.
Mas no Rio, o que se vê são rabiscos tortos nas paredes.
Seres da caverna que continuam a transitar na sociedade, e pensam que ao marcar as paredes se tornam notórios.

Interessante como o portal de entrada da cidade é o local mais imundo em todas as instancias possíveis.
Chernobyl deve ser mais bonita hoje em dia. (similar em relação ao abandono)

Para uma cidade como a nossa, que tenta sediar eventos internacionais, ter um rio de fezes bem na frente da rodoviária é uma contradição.

A Rodrigues Alves inteira é uma bosta só.
De uma ponta a outra.
Quando chove, as pessoas se abrigam sob o viaduto, mas a chuva insiste em cair sobre suas cabeças através das rachaduras do concreto, e invadem seus sapatos sem o menor respeito.
O Bairro da Saúde deve ser a capital da Atlântida.

Dizem que vai haver revitalização.
Então é do conhecimento do poder público, a decadência que é o local?
Pergunto-me, porque há tanto descaso?
Sujeira absoluta, poluição visual, cheiro acre.

Com tantos recursos tecnológicos.
As autoridades não conseguem dar conta da sujeira e dos pixadores.
Parece um submundo dentro de um submundo maior.
Caixa de Pandora....

Cidadãos porcos e autoridades despreocupadas.
Sistema falido.
Vão injetar milhões, super faturar bilhões....e esperar a decadência para fazer tudo de novo....e assim segue o ciclo, e assim segue para a Avenida Brasil....ou avenidas do Brasil, onde se anda de bote, desviando dos entulhos.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Como o Buarque

Desde novo sempre ouvi, vi e li suas obras, não todas, mas uma parte que achei interessante.
Acreditava no Artista como um ativista político, de grande contexto filosófico.
Retirou-se do país por causa de perseguição política na época da ditadura.

Ele sonhou um Brasil diferente.
Trabalhou em diversos seguimentos e deu forma e conteúdo ao conceito de ser artista.
O que nós vemos nesse âmbito hoje em dia?
Meras interpretações de papéis e personagens....nada mais.
Quem produz arte não tem espaço digno na mídia; talvez seja por que não esteja tão preocupado em agradar a sociedade ou capitalizar através de produtos que vendam para a massa...

O fato que após o auto-exílio fora do país, essa mesma pessoa vive hoje a mesma fase dentro de nossas fronteiras.
Talvez ele tenha se cansado, sonhou e compôs para as paredes, foi perseguido e por fim não ouvido, se consumiu e partiu para a reclusão.
É melhor ficar em casa...receber os que se interessam e deixar que as diferenças sociais se consolidem cada vez mais... e que os ricos sejam sempre a menor parcela da nação...
A mistura na multidão causa diluição dos interesses da causa.

Simbióticos.

As relações são fundamentadas em trocas.
Acredito que essa história de não esperar retorno é mera balela demagógica.

No âmbito profissional esperamos sempre por políticas de reconhecimento, seja no seguimento financeiro ou motivacional, a falta de um deles gera um processo degenerativo...insatisfação.
Você dá seu sangue dia a dia, e não recebe em troca nem mesmo um “muito obrigado” e ou algo que se assemelhe...

A simbiose é um exercício de aceitação e equilíbrio.
As partes envolvidas devem estar em revezamento constante entre hospedeiro e parasita.
Quando há desequilíbrio, fatalmente uma das partes míngua.

O s relacionamentos humanos são os mais curiosos.
Penso que em parceria, o resultado é gratificante para um conjunto que vai além dos diretamente envolvidos nessa química.

Não sei por que pessoas como Yuka e Marcelo quebram um trabalho tão contextual.
Penso em Charles e Erik Magnus, que embora sejam fictícios, são dois lados de uma mesma moeda que lutam por um objetivo único, mas empregam meios diferentes de atingir o mesmo fim; e até então a vitória não chegou para ninguém.

Ordem através do caos x Harmonia como fator de ordem social.

Roberto e Erasmo marcaram uma era dando o recado do modo deles.
Milhares de pessoas contextualizaram e viveram experiências baseadas em suas obras.
Outras tantas criaturas clamaram pelos irmãos Gallagher, que nunca esconderam o gigantesco egocentrismo que permeava tudo o que tocavam ou tocam....no sentido físico e musical.

Nota-se então que em alguns casos há uma simbiose deficiente, e em alguns outros, ocorre uma justa posição da soma dos elementos e neurônios empregados para conceber uma composição harmônica.
O resultado obtido, tanto na simbiose saudável quanto na teoricamente deficiente, é o legado que fica, seja ele qual for dependendo da forma que se entenda e cultura empregada para tal.
A diferença então entre outros conceitos fica basicamente no tempo de duração da química sem a falência de um dos lados.

É mais fácil pensar no contexto de parcerias desfeitas do que nas que se perpetuaram.
A natureza humana é inconsistente e vaidosa.
Quando se trata de dividir, as prioridades sempre fluem em um sentido só.....o sentido individual.

Juntos produziríamos infinitamente mais.
Sozinhos, somos meros personagens desempenhando papéis irrelevantes...e acabam por se cansar....como o Buarque...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Mecanismos

Tudo o que produzimos é alimentado por mecanismos.
Os mecanismos dos carros, com sub mecanismos de catalisação, combustão, explosão, em fim...mecanismos e engrenagens.
Antigas ou modernas ainda assim engrenagens que formam os mecanismos.
Repartição de átomos, partículas subatômicas, são produtos gerados através de processos mecânicos inventados e alimentados pelo homem.
Políticas de opressão também são mecanismos de controle da massa.

Nosso corpo funciona em tese no mesmo esquema.
O mecanismo físico é alimentado por exercícios motores, que refina e acentua a força e a coordenação, o mecanismo do metabolismo dita a sua silhueta para o bem ou para o mal.
Se bem treinado o resultado obtido é muito satisfatório aos olhos e bem estar.

Mas e quando falamos de nossas mentes?
O que alimenta nossas idéias e faz nossas sinapses zunirem de bons e maus pensamentos?
Temos propensões químicas fragilmente equilibradas e o excesso pode te conduzir a caminhos sem volta.
Tento alimentar meus estímulos elétricos com bons fluidos para amenizar minha natureza destrutiva.
Nem sempre dá certo.

O Mecanismo de compensação do cérebro.
Esse é o mais dinâmico e insuperável que existe.
A inteligência artificial, não é nada sem a mão do homem.
Mesmo essa fantástica máquina orgânica é carente de estímulos, e freqüentemente clama por recompensas, sejam nos atos ou nos prazeres.
O bem estar gerado pela mente pode tornar uma pessoa dependente de algo, e a abstinência do mesmo item é um amargo remédio quando o cérebro clama por produzir alquimias.
É preciso tomar cuidado, pois fatalmente o resultado que emergirá com a possível falta e ou o excesso de determinados componentes, poderá trazer desequilíbrio a vivencia e desequilibrado o homem é uma arma mortal.

sábado, 16 de abril de 2011

Se propaga no vácuo.

Não importa onde.
É cada vez mais raro ouvir o som do vácuo.
Este que se traduz em simples silêncio, o nada.
Acordamos e o ruído ao redor esta presente.
Às vezes esqueço-me do reconfortante som do vazio.

Barulho de motor, buzinas, engrenagens, gente.

Mesmo quando você não quer ouvir rádio, alguém te força tímpano adentro os ruídos que saem dos seus fones.
Violência auditiva constante.

Se quiséssemos aquilo naquele momento, provavelmente estaríamos em um coral cantando em uníssono ou em uma quadra de alguma agremiação.

Em ambientes fechados, muitas vezes é impossível ouvir a própria voz se não gritarmos.
O Almoço em restaurante é uma verdadeira feira, e não são burburinhos.

Notei que alguns apelam para a apnéia voluntária.
Submerso o som é nulo.
Mas tome cuidado, pois como tudo que é bom, a duração é pouca.
Fique atento, e por mais que queira suba para respirar.

Enquanto isso coloco as mãos em concha cobrindo os ouvidos.
Como um desajustado na multidão se desgarrando do rebanho vou seguindo.